Criminologia e Prisão: caminhos e desafios da pesquisa empírica no campo prisional

Ana Gabriela Mendes Braga

Resumo


O presente artigo é um dos frutos da pesquisa de doutoramento “Reintegração social: discursos e práticas na prisão ‒ um estudo comparado”, na qual foram analisados alguns projetos desenvolvidos por entidades da sociedade civil em estabelecimentos prisionais de São Paulo e da Catalunha (Espanha). Para tanto, utilizou-se metodologia qualitativa de pesquisa, com o emprego de três métodos: entrevistas semidirigidas com os envolvidos direta e indiretamente com os projetos (voluntários, presos, diretores de entidades, funcionários da prisão); pesquisa documental (projetos, memoriais, manuais); e, relatos etnográficos produzidos a partir da observação in loco do trabalho desenvolvido pelas entidades selecionadas nos estabelecimentos prisionais. Neste paper, ganha destaque a questão do método em criminologia e as reflexões acerca da pesquisa empírica na prisão. Em uma pesquisa situada em um espaço tão hermético como a prisão, explicitar os caminhos de inserção do campo é um exercício que desvela os mecanismos de poder em funcionamento, e acaba por levar o pesquisador de volta ao objeto da própria tese. Afinal, muitos dos empecilhos e barreiras criadas para a entrada do pesquisador na prisão são os mesmos com que se deparam as entidades e pessoas da sociedade civil. Esse artigo é uma reflexão acerca dos caminhos e dos desafios vivenciados por aqueles que adentram o espaço prisional enfrentando o isolamento impostos por seus muros.

Palavras-chave


Criminologia; Prisão; Pesquisa empírica; Metodologia

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DOI: http://dx.doi.org/10.19092/reed.v1i1.4

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